Houve um momento em que pensei que não ia conseguir. Mas estou aqui. E isso é um começo.
2024 foi um ano que me destruiu – um daqueles anos que a gente espera nunca viver, mas que, de alguma forma, nos força a enxergar a vida por outro ângulo. Enquanto escrevo este texto, não é fácil revisitar essa jornada, mas sinto que compartilhar pode trazer não só alívio, como também um fio de conexão com quem pode estar sentindo o mesmo.
Tudo começou a desmoronar quando a depressão, que há tempos andava quieta, resolveu gritar. Sair da cama virou um esforço sobre-humano, e até as coisas mais simples pareciam inalcançáveis. Nesse cenário, perdi o emprego – minha única fonte de renda. O que já era difícil se tornou sufocante.
Como se não bastasse, fui traída por alguém julgava uma amiga, alguém em quem confiava. A sensação de abandono e desamparo se juntou ao peso das dívidas que começaram a crescer. Minha vida parecia uma espiral descendente sem fim.
Fisicamente, meu corpo começou a reagir: alergias inexplicáveis, crises de psoríase, sinais claros de que minha saúde emocional estava pedindo socorro. Tudo isso me fez sentir ainda mais perdida, com a autoestima despedaçada e a síndrome do impostor gritando dentro de mim: “Você não é capaz, nunca foi”.
Foi com ajuda que dei os primeiros passos. Amigos, família e até profissionais apareceram. Comecei a tentar novos projetos, mesmo sem muita força ou esperança. Alguns trabalhos surgiram, e por um momento, parecia que a vida estava, enfim, tomando um rumo melhor.
Mas então, outro golpe veio. Perdi um trabalho ao qual me dedicava de corpo e alma, algo que eu acreditava ser o início de uma virada. Foi um tombo doloroso que reacendeu o ciclo da depressão. A sensação de fracasso se intensificou, e lá estava eu, mais uma vez, questionando se existia algum motivo para continuar tentando.
Hoje, ao olhar para trás, percebo algo que, na época, eu não enxergava: eu ainda estou aqui. Ainda respirando, ainda tentando, ainda vivendo – mesmo que de forma imperfeita. Não encontrei uma solução mágica, e as dores de 2024 ainda ecoam em muitos aspectos.
Mas aprendi que o fundo do poço, por mais escuro que seja, também pode ser um lugar de reflexão. Não há vergonha em cair – e pedir ajuda é um ato de coragem. Estou aprendendo que pequenos passos contam, que minha história não está encerrada e que dias melhores ainda podem surgir, mesmo depois das piores tempestades.
Se você também está em meio a um período difícil, quero que saiba: não está sozinha. A estrada pode parecer interminável, mas cada passo que você dá, por menor que pareça, é uma vitória. Nos dias mais difíceis, insistir em viver já é, por si só, um ato de heroísmo.